quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Corpo Fechado

Terei de limitar as palavras que usarei nesse texto, para não ser traído pelas ações covardes daqueles que se escondem atrás de togas, manchadas de sangue e lama, e que pouco valor prezam à liberdade de expressão e à vida.

A cada dia, vemos aumentar o abismo entre as interpretações dadas às leis vigentes nesse país e o que deveria ser moralmente aceito.

O corporativismo de um tendencioso judiciário, vem promovendo espetáculos para cidadãos apáticos, inertes, passivos com suas mãos atadas. Do outro lado, pessoas academicamente preparadas para explorar os meandros, dando suas próprias (muitas vezes impróprias) traduções que as leis oferecem, a bel prazer de seus restritos interesses, blindando a categoria a qual pertencem, como se, divindades imaculadas fossem.

E como saldo da tragédia, promotores que vertem-se em lágrimas para convencer da inocência de seu cliente, alegam: “a vida desse rapaz acabou” – isso porque seu cliente, deposto dos proventos públicos, está tendo de vender quentinhas para sobreviver.

Data vênia, nessa dicotomia, ao invés de endossar o banditismo, vossa excelência deveria supor que, o que legitimamente representa a finitude humana, é o corpo de um jovem de 18 anos jazendo - desde seu covarde assassinato - no único lote que nossa pátria tem garantido aos seus filhos.

... quem me dera que esse texto servisse de consolo às dores de Daniela. ... dores demais para uma mãe. Mas não será.

Nenhum comentário: