sábado, 16 de fevereiro de 2008

Fahrenheit 9/11 – Uma Beleza Americana

Antes de iniciar esse texto, gostaria de ratificar o horror que foi o atentado de 11 de setembro. O fato de comparar com Beleza Americana, se dá pela intenção de fazer um link com o filme que tinha a proposta de fazer uma autópsia no declínio de um império.


APRESENTAÇÃO.

Em 1999 o cinema norte-americano - carro chefe da propaganda mundial do, tantas vezes aqui já citados american way of life – foi apresentado ao primor do estilo causticante de Nelson Rodrigues. É claro que, sofrendo uma resistência de uma ótica mais ligth para não chocar a sociedade e costumes americanos.Algumas, feridas são tocadas com sutileza, mas tirando a hipocrisia americana da inércia de evitar o questionamento de algumas de suas realidades cotidianas: pedofilia, decadência da instituição familiar, drogas, adultério, homossexualismo.

Algumas cenas migram do brilho vermelho que estanca numa sangria por cima de uma mesa branca onde descansa pacificamente uma cabeça suicida, até a poesia de um simples saco plástico que dança ao vento num pátio vazio, registrado por uma hand cam. É com o simbolismo dessa imagem efêmera que iniciou esse texto sobre o Fahrenheit.

1º ato.

5 anos mais tarde, Michael Moore merecia pelo filme Fahrenhiet 9/11 um prêmio pela edição das imagens. Se fossem cenas produzidas em estúdio, como em American Beauty, perderia todo o valor, mas Moore, fez uma edição primorosa das cenas reais de papeis que pairam no ar, rompendo as barreiras densas de fumaça. Esse extrato de pó, representou o declínio de uma prepotência, simbolizada por duas gigantescas torres que vieram ao chão e com ela a profética ameaça de que esse mundo nunca mais teria a mesma sensação de segurança.

2º ato.

Os EUA levaram 60 anos para esquecer a sua vulnerabilidade já testada em Pearl Harbor numa manhã de 07 de dezembro de 41. Naquela época foram necessários centenas de pequenos aviões com intenções suicidas para dar início a tragédia na costa do pacífico. Décadas mais tarde, outra investida, foi efetivada contra a tríplice coluna que alicerçam o país: o capital representado pelo mercado de negócios que atuava nas duas torres no coração de Manhattan; o poderio da inteligência (???) bélica mirada numa das vértices do pentágono; e, o orgulho que sufoca a razão do povo americano. O terror tripudiou sobre o país mais poderoso do mundo, com uma ação de orçamento muito mais modesto do que a estratégia das forças armadas japonesas, afinal, colocar um avião comercial daquele porte no ar e pousa-lo com segurança, requer um treinamento e logística que demanda elevadíssimo custo. Mas, tomar de assalto a tripulação e colocar as mesmas aeronaves abaixo, arremetendo contra um alvo imóvel, isso qualquer um poderia ter feito, desde que tivesse na morte um ideal de salvação. Duas coisas foram provadas: a segurança que se propagava era ilusória e o alvo – que até pouco tempo era registrado como a mais alta construção do mundo – fácil.

3º ato.

Outra qualidade da obra de Michael Moore é o enfrentamento contra o títere George Walter Bush, sem dar muita importância ao que ele representa como Presidente do Estados Unidos da América. Numa posição ascendente das pontas dos cordéis: Chaney, Rumsfeld, papa-Bush e, pasmem, seus sócios em vários negócios milionários (provados por documentos) – A FAMÍLIA BIN LADEN. Incansável, Moore estende o desmascaramento àqueles que são comandados por essa marionete, na ponta descendente dessas cordas: Condoleezza, Colin e o fantoche de além-mar - Blair.

4º ato.

A propaganda permitiu-nos conservar o Poder, a propaganda nos possibilitará a conquista do mundo – G. Bush? Poderia ter sido, mas foi Adolf Hitler quem deflagrou essa frase.

Moore mostra e prova cronologicamente e com imagens que Bush já sabia do atentado contra a primeira torre, quando preferiu dar continuidade a sua estratégia de propaganda em participar de uma cerimônia numa escola. Quando é informado ao pé-do-ouvido que a segunda torre foi atingida, reage como um boneco-de-pau que – pelas circunstâncias, se vê inerte por ter sido pego desprevenido durante a folga do ventríloquo que não estava lá para sugerir sua fala ou atitude. Atrás dele, um cartaz escrito pelas crianças, adverte: Reading makes a coutry great!.


Talvez, se Bush tivesse lido, estudado e escutado um pouco mais, quando tinha a idade daquelas crianças, seria alguém um pouco mais preparado para o emprego que ocupa no momento.


O tempo passou e essa oportunidade foi perdida. Mas, por sua vez, se o Senado também tivesse a decência de ler o apelo das minorias étnicas dessa terra de liberdade e oportunidades, respeitariam a possibilidade de impugnar a demente contagem, re-contagem, re-re-contagem de votos da nepotista e corrompida Flórida. Isso também está lá ... no filme.

EPÍLOGO.

O que é o Governo? Nada, se não dispuser da opinião pública. – G. Bush? Poderia ter sido, mas foi Napoleão Bonaparte quem se apoderou dessa frase.Mas o que fazer se a própria opinião pública está intoxicada por um nacionalismo que a faz cega às necessidades do resto do mundo? Que está contaminada pela ignorância em não perceber que estão se isolando num globo em que o resto faz o movimento inverso em se unir em blocos?

O filme contrasta as lágrimas de uma mãe que perdeu seu filho na guerra, contra o ufanismo de uma mãe que se orgulha de seu filho ir servir de alvo-vivo (vivo, por enquanto) para milícias iraquianas. O poder público informando que a guerra está ganha, com cenas de militares americanos sendo pulverizados por bombas plantadas pelos seus oponentes ou linchados por uma população sem pátria e revolta.

Juro que se eu tivesse assistido ao filme do Michael Moore - Fahrenheit 9/11 - antes das eleições, eu teria apostado um braço como esse clone do Alfred E. Newman (aquele orelhudo, com cara de idiota da revista MAD) não iria se re-eleger.

No entanto, assisti ao filme na semana passada e vi o quão irracionais são esses eleitores e quão arraigada é essa demente prepotência.
Em tempo, vale a pena lembrar que estamos alguns anos a frente da democracia americana, pois nossa estupidez em ter elegido um boçal-propagandista, foi há 14 anos atrás, e na metade do mandato o mandamos pastar, ao invés de re-elegê-lo.

E o mestre Jabor ainda atribui a gênese de todo esse apocalipse a chupada da Monica Lewinsky - uma americana baranga, que de bela não tem nada.

25/12/04

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