Antes de iniciar esse texto, gostaria de ratificar o horror que foi o atentado de 11 de setembro. O fato de comparar com Beleza Americana, se dá pela intenção de fazer um link com o filme que tinha a proposta de fazer uma autópsia no declínio de um império. APRESENTAÇÃO.
Em 1999 o cinema norte-americano - carro chefe da propaganda mundial do, tantas vezes aqui já citados american way of life – foi apresentado ao primor do estilo causticante de Nelson Rodrigues. É claro que, sofrendo uma resistência de uma ótica mais ligth para não chocar a sociedade e costumes americanos.Algumas, feridas são tocadas com sutileza, mas tirando a hipocrisia americana da inércia de evitar o questionamento de algumas de suas realidades cotidianas: pedofilia, decadência da instituição familiar, drogas, adultério, homossexualismo.
1º ato.
5 anos mais tarde, Michael Moore merecia pelo filme Fahrenhiet 9/11 um prêmio pela edição das imagens. Se fossem cenas produzidas em estúdio, como em American Beauty, perderia todo o valor, mas Moore, fez uma edição primorosa das cenas reais de papeis que pairam no ar, rompendo as barreiras densas de fumaça. Esse extrato de pó, representou o declínio de uma prepotência, simbolizada por duas gigantescas torres que vieram ao chão e com ela a profética ameaça de que esse mundo nunca mais teria a mesma sensação de segurança.
2º ato.
Os EUA levaram 60 anos para esquecer a sua vulnerabilidade já testada em Pearl Harbor numa manhã de 07 de dezembro de 41. Naquela época foram necessários centenas de pequenos aviões com intenções suicidas para dar início a tragédia na costa do pacífico. Décadas mais tarde, outra investida, foi efetivada contra a tríplice coluna que alicerçam o país: o capital representado pelo mercado de negócios que atuava nas duas torres no coração de Manhattan; o poderio da inteligência (???) bélica mirada numa das vértices do pentágono; e, o orgulho que sufoca a razão do povo americano. O terror tripudiou sobre o país mais poderoso do mundo, com uma ação de orçamento muito mais modesto do que a estratégia das forças armadas japonesas, afinal, colocar um avião comercial daquele porte no ar e pousa-lo com segurança, requer um treinamento e logística que demanda elevadíssimo custo. Mas, tomar de assalto a tripulação e colocar as mesmas aeronaves abaixo, arremetendo contra um alvo imóvel, isso qualquer um poderia ter feito, desde que tivesse na morte um ideal de salvação. Duas coisas foram provadas: a segurança que se propagava era ilusória e o alvo – que até pouco tempo era registrado como a mais alta construção do mundo – fácil.
3º ato.
Outra qualidade da obra de Michael Moore é o enfrentamento contra o títere George Walter Bush, sem dar muita importância ao que ele representa como Presidente do Estados Unidos da América. Numa posição ascendente das pontas dos cordéis: Chaney, Rumsfeld, papa-Bush e, pasmem, seus sócios em vários negócios milionários (provados por documentos) – A FAMÍLIA BIN LADEN. Incansável, Moore estende o desmascaramento àqueles que são comandados por essa marionete, na ponta descendente dessas cordas: Condoleezza, Colin e o fantoche de além-mar - Blair.
4º ato.
EPÍLOGO.
O filme contrasta as lágrimas de uma mãe que perdeu seu filho na guerra, contra o ufanismo de uma mãe que se orgulha de seu filho ir servir de alvo-vivo (vivo, por enquanto) para milícias iraquianas. O poder público informando que a guerra está ganha, com cenas de militares americanos sendo pulverizados por bombas plantadas pelos seus oponentes ou linchados por uma população sem pátria e revolta.
25/12/04

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