sábado, 16 de fevereiro de 2008

Hoje é dia de Marcele

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita...

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades...

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa...

Minha cara amiga
Foi com a mesma intenção de Chico Buarque que, desde que minha irmã Marcele [http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=2757189494094237165] – foi morar na gélida, porém segura Dresden/Alemanha, venho tentando alimentá-la com o supra-sumo da nossa cultura. É com freqüência que mando notícias, músicas, imagens via mail, msn, correio, etc...
Sendo quem é, não me surpreendo quando por diversas vezes, ela já está a par das supostas novidades por devorar com a voracidade - comum aos exilados - tudo que produzimos na nossa terra natal.

Quem, como e porquê?
Vale explicar que esse exílio foi voluntário a medida em que seu marido e também meu irmão André [http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=8805153525500437586] ou apenas - Dé, foi compelido a trocar uma universidade em que tinha de trazer de casa até o papel higiênico que iria usar (ou não), por outra que lhe oferecesse total acesso aos recursos tecnológicos mais sofisticados para aprimorar suas metas acadêmicas em pós doutorado em física quântica.
E não pense que se trata de um nerd que se esconde atrás de lentes grossas de óculos. Acho que nem óculos ele usa.
Ele é o cara: surfista, mergulhador, ele já foi pegador e já foi barangueiro.
Já caiu de ultra-leve, gosta de blues, jazz e rock, além de excelente pai da minha sobrinha e mandar bem na cozinha também.

Feita as apresentações, ... voltemos ao texto.
Há tempos, fiz questão de gravar numa fita de vídeo, e mandar para Marcele, os dois primeiros episódios do CENA ABERTA [http://www.casacinepoa.com.br/port/filmes/cenaaber.htm] – A hora da estrela / Negro Bonifácio. Acho que seria muita injustiça com minha mana, ela não ter acesso a uma obra tão sensível como essa.
Com essa mesma preocupação, que há quase duas semanas venho gravando a nova minissérie
Hoje é dia de Maria [http://hojeediademaria.globo.com/] para presentear e agraciar, quem eu gosto tanto, com uma pérola da nossa produção cultural.

O Elenco
O que se pode esperar de uma seleção composta pelos consagrados Fernanda Montenegro, e Osmar Prado (que está brilhante); a grata surpresa de conhecer a beleza e talento de Carolina Oliveira (que faz a Maria, quando criança), e as infalíveis atuações de Letícia Sabatella, Rodrigo Santoro e Daniel de Oliveira?!

Registro destaque para o ator Gero Camilo no papel de Zé Cangaia. O mesmo Gero que já fez dobradinha com Santoro nos filmes – Abril Despedaçado, Bicho de Sete Cabeças e Carandiru.
Cearence, divide com o paulistano - Matheus Nachtergaele – o posto dentre os melhores atores que surgiram na última década na minha limitada e parca opinião, desprovida de conhecimentos técnicos mas calcada apenas naquilo que me agrada a retina e a alma.

Fragmentos
Cenário, figurino, caracterização e elenco de apoio com os bonecos do Giramundo cristaliza o trabalho, como aquelas obras que dá satisfação de fazer parte da nação que dispõe de uma cultura tão vasta, criativa e sensível como a que temos por aqui.
A história é costurada por diversas músicas de arranjos e interpretações primorosas, tais como a valsa Circo e Melancolia. A fanfarra circense de Toreador. O desafio-repente travado entre Maria (criança) e Asmodeu na intenção de resgatar a sombra do Zé Cangaia, trocada por um prato de comida. O melancólico dueto entre Maria (adulta) e Amado (homem-passaro), cantando Melodia Sentimental de Heitor Vila-Lobos e Dora Vasconcelos.

Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura...

Epílogo
É por isso, e por apenas tudo isso – mana - que transmito para além das franjas do mar esse marco, pois,...
... a amizade nossa foi das meió.
É pedra que não gasta, a nossa amizade, viu?!
E também delicada assim como flô.
A amizade nossa é palavra eu não sei dizer
....só sei sentir.
22/01/05

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