
Infelizmente, a máquina do tempo ainda não está pronta. Mas paliativos ilusórios estão aos montes para tapear a memória com a lembrança gostosa da época em que a juventude aplaudia o por do sol, esteja ele onde estivesse, indo para qualquer lugar que fosse.
Sábado, fui me entorpecer nessa saudade, assistindo ao filme Cazuza – o Tempo não para.
Há tantos anos sendo driblado por histórias que não são as minhas, vidas que não vivi, tive a grata satisfação de ver lugares por onde andei em épocas que vivi.
Circo Voador, Morro da Urca (noites cariocas), Rock in Rio, ....e o melhor: ouvir e ver Cazuza novamente.
O trabalho de Daniel de Oliveira supera o conceito acadêmico de interpretação e atinge a mediunidade. Sem exageros, ele percebeu a essência do mito e estilo cazuza-way-of-life para confundir aos espectadores e valer do mérito dos aplausos que estancam ao fim da sessão. Mas é claro que uma fatia generosa dessa ovação, pertence àquele que originou a história.
Outra participação primorosa, é a transformação do ator Emílio de Mello pulando de cabeça na porra-louquice do Ezequieu Neves, mostrando o quanto de combustão sua personagem inflamou sobre o artista.
O filme tem quatro alegorias pontuais.Uma cena de conteúdo previsível e pálida em que ele canta para uma platéia vazia.
A outra, a fuga do Cazuza após receber o exame de soro-positividade, sua reação antropofágica se retro-alimentando do laudo de sua condenação.Já na internação do Hospital em Boston, reflete sobre a equação – Vida = Espaço x Tempo, e limitado pelas paredes do quarto de Hospital, tenta capturar o tempo nas fotos que espocava de sua máquina, registrando fragmentos do que ele era naquele instante.
E a mais sensível de todas, ... uma cena em que o segurança leva o corpo enfermo do astro para tomar banho de mar e, quase solto dos braços do segurança, ao fundo a trilha justifica – “vida louca, vida... vida breve... já que eu não posso te levar, quero que você me leve....”
6/15/2004 5:55 PM

Nenhum comentário:
Postar um comentário