nos mares continentais
que margeiam as terras de pindorama
havia uma nau sem domínio de seu norte,
como uma carcaça de um peixe
rifada à sorte
estava perdida na liberdade da escolha de seu rumo.
o horizonte era só um sinônimo pálido
de uma linha traçada paralela ao céu.
quando apareceu ao longe um fio de luz intermitente
foi assim por uma semana até que a embarcação identificasse o FAROL
e como numa conspiração natural, o vento soprou a favor.
as ondas – que noutras épocas se irmanaram ao pesadelo –
dirigiu, sem pressa, a tripulação a um destino.
abriu o tempo, para que estrelas diagramassem o caminho.
enfim, salvação.
terra à vista.solo firme.
porto seguro.
para mim, comandante de qualquer nau que já esteve à deriva
não cabe perguntar quem é você - FAROL.
não importa saber de onde veio.
refaz-se a esperança,
de que aqui é o meu lugar,
decifrando seus sinais,
orbitando a sua luz.


Um comentário:
Amei o texto.
Hiper sensível.
Mas prefiro aqueles de outro gênero que vc me mandou por mail.
Vc não vai publicá-los?
Se for o caso, publique num outro blog, como anônimo.
Vc tem todo perfil de escritor dessa linha.
Aquele "do estacionamento" então...
bjks
Gabi
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