terça-feira, 22 de julho de 2008

Carta sem destino

Cara. Hoje, sem mais, nem porque, lembrei muito de você.

Bateu uma saudade fudida.

Eu estava no trabalho. Na mesma hora, coloquei uma seleção de músicas, daquelas que você me ensinou a ouvir e gostar.

Repertório 100% Sinatra.

Não tem como ouvi-lo, sem que sua saudade tome forma, em lembranças agradáveis.

De repente, me vi pequeno – de novo – na Álvares de Azevedo, num domingo qualquer (de tantos) em que você se contentava em botar na vitrola SEMP (ainda sem a intervenção nipônica da Toshiba), para ouvirmos juntos essas mesmas músicas.

Na época, percebendo que eu, entorpecido pela melodia e, sem entender lhufas do idioma, traduzia as músicas com um detalhamento alegórico, contextualizando-a em sua própria história.

Por mais lúdico que fosse, não tinha como, em pouco tempo, estruturar todo aquele cenário descrito, em minha cabeça.

Por várias vezes, dormia embalado por aquele sonho e, quando acordava, o som já estava desligado e a tarde tinha passado. Mas, nem tanto tempo passado, daquelas tardes, empalideceu a nitidez e matizes dessa agradável memória.

Até que, da minha seleção, tocou

Nenhuma música seria tão apropriada para aumentar a saudade de você.

Quando vi, ainda no trabalho, eu estava com os olhos cheios d’água.

Ninguém a minha volta viu ou percebeu.

... melhor assim.

Sabe pai, essa ano não tem sido fácil pra mim...

... mas ainda estou de pé!

Hoje entendo um pouco mais que, a autenticidade incomoda e faz com que muita gente lhe dê as costas.

Tenho muito que mudar.

... muito que aprender ...

Mas aquilo que insisto em acreditar como valores, não irei abstrair de minha vida, por mais transtornos que venha causar nos outros e até em mim mesmo.

Tentei te imitar em suas virtudes, sem sucesso.

Tentei fugir de seus defeitos e até certo ponto, consegui.

Até que vi, que não vou seguir sua história. Melhor assim. Tenho a minha própria já construída. Agradando ou não – ela é MINHA.

Alguns erros inéditos e acertos que tenho meu próprio mérito.

(estranhamente, nesse exato momento está tocando, ... vai entender, né?!)

Seu neto está lindo. É um carinha bacaninha.

Certamente você iria se divertir muito com ele e se impressionar de quão inteligente ele é. Atento, aprende de primeira qualquer palavra que lhe seja dita. Tenta repetir e pergunta “o que é” apontando para tudo que vê, desde as coisas mais simples, até àquelas que – nem eu, aos meus 40 anos – sei explicar com clareza.

Nesse fim de semana, no passeio rotineiro pela praia de Icaraí, falei de você para ele.

Ele demonstrou a atenção e interesse de sempre.

Muito legal ele repetindo – ao modo dele – vovô Peury e vovó Anja.

Bom, meu velho, vou ficando por aqui, ao som da última música que, há tanto tempo, você descreveu pra mim, e ao bom, velho e inesquecível estilo Fleury, me despeço pedindo – one for my “DADDY” (and one more for the road)

Siga em paz.

com amor – seu filho.


6 comentários:

Anônimo disse...

Veio,

Bonito p kct!

Parabens!
Bjs
Marius

Marcele Martins disse...

A trilha está divina! Assim como o texto!
Beijao!!!
Cele

Unknown disse...

Vc sabe o qt gosto dos seus textos... Espero q vc divulgue mais e não deixe só pros amigos verem. Bjusssss. Gabi

Anônimo disse...

Amei o texto Fleury! A trilha sonora é perfeita! Eu sempre me deixo levar pela voz suave de Frank Sinatra! parabéns pelo texto. Vanessa

Vivi Rocha disse...

Não tem palavras, não.
Beijão.
Vivi

Vivi Rocha disse...

Nao tem palavras,nao.
Beijao.
Vivi