domingo, 10 de agosto de 2008

Minha obra de arte


Meu amor.

Você é minha obra de arte.
E te amo, muito antes de você ter se tornado apenas um rascunho da arte que já é e do tanto que ainda quero que se torne.



Lembro que estava no trabalho noturno, quando sua mãe me ligou para dizer o resultado da contagem hormonal que iria detectar a gravidez. Inexperiente, pelo menos nesse assunto, ficamos em dúvidas quanto aos números apresentados no teste.



Confirmado – Estávamos gravidíssimos.



A alegria que nos abateu superou as preocupações normais daquilo que não foi planejado.
Estive presente em cada consulta realizada e por várias vezes cobrava da médica, ultra-sonografias que não estavam previstas numa rotina de pré-natal, só para amainar a saudade de lhe ver numa tela fria de computador, desde o momento em que sua imagem se semelhava a um caroço de feijão que latejava dentro de sua mãe.
Você foi tomando forma e nos aliviando as preocupações a cada momento em que constatávamos que estava tudo indo bem.
Ouvi seu coração disparado, não tanto quanto o meu.
Cantei por várias vezes (MPB, é claro), próximo ao ventre que lhe acolhia, para te manter calmo, feliz para o mundo que te aguardava.
Senti pelas ondulações do barriga, você surfando em seu cantinho, cada vez mais pequeno pro tanto que você se tornava.


Até que, num dia de Reis, digno da minha majestade que estava por me ver frente a frente, olhos nos olhos, uma sala fria e branca um berro rompeu o silêncio. Para você, uma ruptura de uma passagem traumática e necessária a todo mundo. Para mim, um libelo que dizia – Ei, agora tudo mudou!



Éramos três chorando naquela sala porém, todos extasiados, exauridos e realizados.
Quando a pediatra o levou para outra sala, sua mãe, plácida e ainda aguerrida de tudo que lhe havia acontecido (coisa que, se nós homens tivéssemos de passar, a raça humana já estaria extinta há milênios), presa à continuidade dos procedimentos me falou – acompanha ele.



SEMPRE.



Sempre lhe acompanharei e estarei incondicionalmente ao teu lado.



Cabe a mim a responsabilidade de lhe formar com valores, para que nunca o meu apoio aos seus atos, seja contrário aos meus princípios e essa vigília, farei enquanto viver.



Passado todos os recursos necessários, você veio ao meu colo. Seus 3,380kg pesaram muito, agregados à toneladas de responsabilidade que se transferiram sobre os ombros.
No entanto, seus parcos 50 cm, já lhe davam a estatura de um gigante - O MEU GIGANTE.


E quero agradecer à Deus e a você, por me tornar espectador de cada passo. Cada descoberta que temos dentre tantas que ainda teremos juntos.
Você é minha motivação para estar de pé; vivo e perpetuando minha fé nas pessoas e em mim mesmo.



Te amo.



Você é minha obra-prima.

5 comentários:

Tiago Gomes disse...

Oh meu caro amigo Fleury,

Diante da distância de meu pai no qual tanto amo e da sensibilidade que essas datas comemorativas (por mais mercadólogicas que sejam) acabam nos sensibilizando. Ao ler seu texto foi inevitável que algumas lágrimas escorressem pela maneira sensivel de sua escrita. Sabendo eu, de todo amor que tens por sua obra de arte, sabia que esse texto se tratava de uma metalinguagem. Afinal, era a arte da escrita falando da arte de ser pai.

Abraços meu caro amigo.

Tiago Gomes

Anônimo disse...

Lindo o texto! Vc deve ser um pai e tanto! Raridade hj em dia. Parabéns! Feliz dia dos Pais!

Anônimo disse...

Véio,
Parabéns pelo txt, mais uma vez vc mandou muito nas palavras.
Tenho certeza q, msm ñ sabendo ler, o GIGANTE, seu gigante, entende kda palavra deste txt, kem o ver falar do mini sabe disso.
Feliz dia dos pais (cm se pudesse ser diferente, né ñ!)
Bjs

Unknown disse...

fleury, fiquei imaginando o qto vc deve ser feliz por ter este filhote!!!! me lembro da sua alegria no inicio da gravidez!
PARABENS POR SER PAI!!!
meu bj
Renata Sardenberg

Unknown disse...

Parabéns, Fleury! O texto é ótimo!!!! Abraço!