domingo, 26 de outubro de 2008

FÁBULA ALAGOANA

A fábula mais clássica que Alagoas produziu há alguns anos foi:

irmão que denuncia irmão, destituindo-o da presidência de um país e morrendo logo após, vitimado por um câncer galopante, deixando viúva a mulher mais linda e cobiçada que o estado já produziu.

FIM

... FIM ???

Que nada.

Noutro momento dessa literatura romântica alagoana, surge uma nova personagem - um gestor de uma fortuna incalculável e que, ainda que tão vultuosa, foi impossível ser rastreada e arrestada por uma união lesada, desfalcada, fudida e mal-paga.

Essa monta decorre de uma prática, até então, comum ao país, de arregimentar doações escusas para campanhas políticas. Prática até então legal (porém amoral, quando não se registra a origem e o destino do valor). Essa operação nunca havia sido questionada, mas incomodou, talvez por não ter gerado um rateio justo aos que dela, se fartariam.

Esse fajuto e biliardário bookmaker foge e desaparece no mapa. É descoberto por um jornalista que consegue uma exclusiva.

A esposa, em sua casa, dá uma declaração com uma ameaça explicitamente criptografada, que até uma criança de 5 anos decifraria – ih, falou besteira. ... ela vai morrer.

Em horário nobre, decreta: ele sabe muito. Se preso, irá falar.

E ele foi capturado.

Imediata e coincidentemente, ela morre do coração (naturalmente, causas naturais)

FIM

... FIM ???

... ainda não ...

Anos depois - o epílogo (o incrível do estilo folhetinesco alagoano, é que nunca se sabe se a história realmente acabou ou anos depois, brotará uma continuação mais interessante que a original)

Esse guarda-livros, é vítima de um crime passional cometido por uma namorada. Jovem, bonita e que – movida pelo ciúme arrebatador de seu sedutor namorado – se suicidou para em seguida matá-lo.

Não estranhe o anacronismo dos fatos. Em Alagoas, tudo é possível e isso chegou a ser aventado, durante a perícia técnica.

Ainda paira uma dúvida que a mais proficiente investigação não explicaria e a opinião pública ratifica como outro mistério – “sedutor namorado” (???).

Mas, pera lá!

O cara que Farias miséria se abrisse seus arquivos e o bico, para denunciar como a funciona os bastidores zilionários da política nacional e seus atores, arruinando a república, ... não era assim, ... assim ..., ½ que de baixa estatura, careca, olhos atraentes (um atrai ao outro, num estrabismo imantado), bigodinho-piaçava e uma expressão de um dicotômico desespero-apático, típico a um cágado quando capota o casco?

... bom, que seja.

Só resta ao ministério da saúde advertir – Mau-gosto Mata!

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