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Ficha Técnica do Filme
TÍTULO ORIGINAL: Citizen Kane / Cidadão Kane
RKO
ELENCO: Orson Welles, Joseph Cotten, Dorothy Comingore.
DIREÇÃO: Orson Welles.
DURAÇÃO: 101 minutos.EUA/1941
O filme é baseado na vida do czar da imprensa norte americana – William Randolph Hearst (1863-1951). Herdeiro do dono de uma mina, Hearst criou seu império da comunicação (25 diários, 11 semanários e participações na indústria cinematográfica, dentre outras empresas) calcado em posturas “pouco éticas”. Ao saber do roteiro do filme, relatando particularidades de sua vida pessoal, escândalos e simpatia pelo fascismo, Hearst promoveu contra Orson Welles uma batalha de titãs na justiça, a fim de impedir sua exibição e tentativa de recolher o filme para ser incinerado. Com isso, conseguiu protelar a exibição, porém, hoje, Cidadão Kane é considerado uma das maiores obras-primas da história do cinema. Orson Welles, apesar da parca idade, já era conhecido do público norte americano. Em novembro de 38, Welles tinha um programa – Mercury Theatre on the air – que ia ao ar todas as noites de domingo, ao vivo, pela rádio CBS. Com uma adaptação para rádio, da novela A guerra dos mundos, de H. G. Wells promoveu uma reação de histeria coletiva, em milhares de ouvintes que acreditaram na história, que relatava a invasão de New Jersey, por extraterrestres. Sendo assim, o batismo do polêmico Welles junto à cultura norte americana.
Indicado para 9 Oscars, a saga de Charles Foster Kane, ganhou em 42 o Prêmio de melhor roteiro. No entanto, foi sua habilidade no uso de recursos técnicos inovadores que contribuíram para a fossilização do filme como um marco. Com a intenção de trazer o espectador para dentro do filme, Welles abdicou do exagero estético ao tornar as cenas muito mais plausíveis e reais. Dentre tais ferramentas inovadoras, o uso inventivo de sombras, focos de nitidez para imagens próximas e de fundo, ao mesmo tempo (deep-focus shots), uso escasso de close-up, seqüências sucessivas de planos sem cortes (uninterrupted sequence shots) e narrativas não lineares. Somando-se a isso, usou recursos já conhecidos, com a mesma maestria: - flashbacks e narrativa em estilo cinejornal.
O Filme
No instante de sua morte, isolado e solitário, tal e qual um eremita, no seu paraíso milionário – Xanadú – Charles Foster Kane diz sua última palavra: - R•O•S•E•B•U•D (apelido que William Randolph Hearst deu a sua segunda esposa, ou – especula-se - parte da anatomia dela, a atriz: Marion Davis). Tal palavra vira um enigma que “justificaria” a vida e as atitudes de seu autor, dando início a uma caçada impetrada por um jornalista para desvendar seu significado. Em sua pesquisa, o jornalista volta às origens de Kane e descobre que, ceifado da companhia de sua mãe (na infância), o jovem Charles Kane, foi educado pelo tutor de sua fortuna levando uma vida fútil de playboy. Ao completar a maior idade, herdou uma série de empresas, a qual, priorizou a direção de um diário chamado Inquirer, junto com seu gerente Bernstein e seu amigo de infância, Jedediah Leland. Em sua estréia no meio jornalístico, fez-se cumprir sua exigência de publicar em destaque de primeira página, seu postulado com os 10 mandamentos éticos que rezariam a edição do jornal. Porém, ao longo de uma série de matérias de pouca credibilidade e alcançando um bom patamar de tiragem, chega a afirmar (em meio a uma discussão com sua 1ª esposa): – “Deixe que eu diga ao povo o que pensar”. pontuando seu poder tirano de manipular a opinião pública.
Quando estava a caminho do depósito público, para pegar os pertences de sua mãe já falecida, depara-se com a cantora, Susan, com quem inicia uma relação extra- conjugal, desmascarada extorsivamente, pelo seu adversário na campanha para Governador. Kane perde a eleição e acaba optando por oficializar o casamento com Susan, patrocinando sua medíocre carreira de cantora. Infeliz em seu império, Susan abandona Kane e logo após, ele morre. Finda a história, o jornalista não consegue decifrar o enigma. Na cena final, a câmera faz uma tomada geral do milionário espólio de Charles Kane, fechando em close-up os bens menos valiosos que estão sendo incinerados, mostrando que um trenó – já em chamas – cremava sua pintura, com o nome - R•O•S•E•B•U•D. Diante desse enredo, concluo que, mesmo tendo tudo que sua fortuna podia comprar, Charles Kane, sentia falta da simplicidade de sua infância – representada pelo símbolo do trenó. No entanto, essa ausência foi suprida pelo amor de Susan, baseada na coincidência de conhecê-la no dia em que pegaria o trenó no depósito, junto aos pertences de sua mãe, promovendo assim, uma interseção de sentidos à palavra - R•O•S•E•B•U•D: sua infância e Susan foram os bens mais valiosos de sua vida.
trabalho de estudo da imagem apresentado em 16/09/1999.

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