Texto baseado no livro 1968 - O ano que não terminou, de Zuenir Ventura.
Ano: 1968, onde, censores do serviço secreto das forças armadas invadem as redações dos principais jornais, a fim de impedir a publicação de manifestações de repúdio à ditadura e ao recém criado Ato Institucional nº 5 (AI5). Os editores articulam, com sagacidade, formas de informar aos leitores que seu direito à liberdade de expressão estava cerceada, bem como, do risco que o panorama nacional estava se submetendo.
Precisamente, cito a edição do Jornal do Brasil, de 14 de dezembro de 1968.
4 Estratégias argumentativas, com base nos recursos da língua: duplo sentido, ambigüidade, construções frasais;
Da mesma forma que trabalhadas através da palavra escrita, tais estratégias argumentativas podem ser elaboradas através de recursos fotográficos associadas ao texto, mantendo assim, a característica de duplo sentido e ambigüidade.
4 Estratégias argumentativas, com base nos recursos da língua: duplo sentido, ambigüidade, construções frasais;
Da mesma forma que trabalhadas através da palavra escrita, tais estratégias argumentativas podem ser elaboradas através de recursos fotográficos associadas ao texto, mantendo assim, a característica de duplo sentido e ambigüidade.
Alberto Dines – editor chefe do Jornal do Brasil – comunicou ao seu diretor, Nascimento Brito, a invasão de sensores na redação do jornal. Ambos acreditavam que, de alguma forma, tinham que denunciar aos leitores a situação, fazendo com que não acreditassem no que iriam ler.
Nessa edição histórica de 14 de dezembro de 1968, o Jornal do Brasil apresentou as seguintes manchetes:
“Ontem foi o dia dos cegos”
a foto principal era do Presidente Costa e Silva
na entrega das espadas aos novos guardas-marinha. Ele está rígido, inclinado para frente como se fosse cair.
Além disso, pela primeira vez, no lugar dos editoriais, eram publicadas duas fotos:
“Força hercúlea”.
na entrega das espadas aos novos guardas-marinha. Ele está rígido, inclinado para frente como se fosse cair.
Além disso, pela primeira vez, no lugar dos editoriais, eram publicadas duas fotos:
“Força hercúlea”.
Na maior, um lutador de judô, gigante, dominando um garoto.
No mesmo período repressivo, o jornal Última Hora de Samuel Wainer também fazia esses “trocadilhos”:
Na primeira página do jornal Última Hora, na reportagem sobre o “Dia da Pátria”, havia uma grande foto com militares batendo continência.
Porém, ao inverter o negativo dessa foto, todo o alto escalão do Exército brasileiro pareceu estar batendo continência com a mão esquerda, pontuando a corajosa provocação ao regime militar.
No mesmo período repressivo, o jornal Última Hora de Samuel Wainer também fazia esses “trocadilhos”:
Na primeira página do jornal Última Hora, na reportagem sobre o “Dia da Pátria”, havia uma grande foto com militares batendo continência.
Porém, ao inverter o negativo dessa foto, todo o alto escalão do Exército brasileiro pareceu estar batendo continência com a mão esquerda, pontuando a corajosa provocação ao regime militar.
Esse gesto provocativo, vieia a se tornar um "bordão" de despedida do jornalista João Saldanha ao findar cada apresentação que fazia na televisão.
4 Argumento baseado em provas concretas:
Na mesma edição de 14 de dezembro de 1968, o Jornal do Brasil publicou em sua previsão meteorológica (no alto à esquerda da primeira página) a seguinte nota:
“Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos”.
4 Argumento baseado em provas concretas:
Na mesma edição de 14 de dezembro de 1968, o Jornal do Brasil publicou em sua previsão meteorológica (no alto à esquerda da primeira página) a seguinte nota:
“Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos”.
Qualquer pessoa iria verificar uma falha nessa previsão, pois, além do sol forte de dezembro que normalmente assola o estado do Rio de Janeiro, as descrições climáticas estavam implicitamente recheadas com noções metafóricas do panorama político do Brasil.
4 Argumentos de autoridade:
O perfil editorial do Jornal do Brasil era calcado em rigorosas normas de estilo e bom gosto. No entanto, os leitores habituais deste jornal, perceberiam que estava havendo algo de estranho, pois, tal publicação estava cheia de clichês e lugares comuns, pontuadas através de palavras tais como:
“balipodistas”, “festejado jogador”, “o colored Pelé”.
Tais expressões haviam sido abolidas da redação deste jornal, desde 1956, quando o JB realizou uma das mais importantes reformas gráficas e redacionais da imprensa brasileira.
Um erro temporal publicado reforça a idéia de que, maculando o cuidado editorial (AUTORIDADE), ficava clara a intenção de informar – nas entrelinhas – que estava acontecendo alguma coisa muito além do que a matéria queria dizer:
A cena deslocada no tempo trata-se de uma foto na primeira página, com garrincha sendo expulso quando o brasil vencia o Chile na copa de 62, ratificada através de legenda.
18/10/99

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